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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Tudo novo, de novo!


Anteontem fez uma semana que me despedi do meu grupo, em razão de minha mudança de cidade...
Estava me sentindo órfã de grupo...
Foi semana passada e parece que já faz tanto tempo...

Frequentar às reuniões, tem para mim, significados muito especiais:

- Um deles, é que quase sempre parece que recebo “recados divinos”
- outro, é que tenho a sensação de recarregar minha bateria emocional, espiritual e psicológica.

Nesta ultima reunião, essa recarga foi intensa... acredito que era porque eu estava realmente precisando.

A primeira leitura sobre Impotência... me fez relembrar todo o meu aprendizado deste ultimo ano no grupo. E me fortaleceu no sentido de retomar a consciência de como eu estava, e de como estou hoje.

A segunda leitura, inusitada, foi feita a partir de um jornal cujo titulo era “Novas crenças... novas escolhas”. Um texto relativamente longo, mas que dizia sobre “o novo olhar”. E era justamente como eu estava me sentindo, assim que entrei na sala.
E dessa leitura, extrai que as coisas sempre estiveram ali como estão. O que muda, é o nosso olhar para aquilo.

Ir às reuniões naranon, de fato, nos faz mudar algumas crenças que, por sua vez, nos mostra direções diferentes.
A partir destas novas crenças, mudamos nossas escolhas pela mudança do nosso “olhar”.

Mudei de cidade ... e trouxe comigo a compreensão desse texto e desta última reunião: de que, qualquer coisa que está ali na minha frente, eu posso aceitar ou não. A decisão e a escolha é minha!

Esta semana, estou sem grupo e sem reunião, me organizando em minha nova vida (sinto-me melhor dizendo, em minha vida antiga).

Mas vou buscar um novo grupo! E será logo... pois, bateria descarregada, não vira...

Estou bem! Bateria ainda não descarregada.
Conseguindo seguir o lema “Primeiro, as primeiras coisas” – estou me acomodando na recuperação de minha vida e me adaptando nela. Preparei-me para isso dando um passo de cada vez.

Agora, darei o segundo passo... encontrarei um grupo que me fará tão bem quanto aquele que conheci, e frequentei no ultimo ano.

Hoje, eu consigo ter certeza disso! Assim como, consigo ter certeza de tantas outras coisas...
Porque junto com minha mudança, trouxe comigo minhas novas crenças, minhas novas escolhas e meu novo olhar!

sábado, 5 de janeiro de 2013

DESAPEGO

raroevoce.blogspot.com

Resolvi iniciar o ano falando de desapego. 
Porque considero o desapego um sentimento muito difícil de ser compreendido e de ser praticado. 
Às vezes, é confundido com egoísmo, individualismo, desinteresse... por quem está de fora, e por quem está envolvido e, inclusive, por nós mesmos.
Uma das definições do dicionário é justamente: “desinteresse e indiferença”
Por isso digo, é necessário compreender o seu significado, de acordo com a literatura dos 12 passos, considerando os 12 lemas e as 12 tradições.
É muito importante e necessário compreende-lo e treinar a sua prática.
O desapego é uma atitude que se aprende, simplesmente, a partir de muito treino.

A definição de DESAPEGO – pelo olhar dos 12 passos:

_Capacidade de permitir que as pessoas, lugares ou coisas tenham a liberdade de serem eles mesmos.
_É se segurar da necessidade de resgatar, salvar ou corrigir outra pessoa de estar doente, disfuncional, ou irracional. Dando a essa outra pessoa o espaço para ser ela mesma.
_Disposição de aceitar que você não pode mudar ou controlar uma pessoa, lugar ou coisa.
_Desenvolvimento e manutenção de uma distância segura e emocional  - de alguém que você já deu um monte de poder de afetar a sua visão sobre a vida emocional.
_Estabelecimento de limites emocionais entre você e as pessoas que tornaram excessivamente enredadas ou dependentes, a fim de que todos  possam ser capazes de desenvolver seu próprio senso de autonomia e independência.
_Processo pelo qual você é livre para sentir seus próprios sentimentos quando você vê outra pessoa vacilar e falhar e não ser liderado por culpa de se sentir responsável por sua falha ou vacilo.
_Capacidade de manter um vínculo emocional de amor, preocupação e carinho, sem os resultados negativos de resgate, fixação ou controle.
_Colocação de todas as coisas na vida em uma perspectiva saudável, racional e reconhecendo que há uma necessidade de se afastar da realidade incontrolável ​​e imutável da vida.
_Capacidade de exercer auto proteção emocional e prevenção para não experimentar devastação emocional e se manter em um ponto razoável e racional.
_Capacidade de deixar as pessoas que você ama.
_Cuidar de aceitar a responsabilidade pessoal por seus próprios atos.
_Praticar o amor sem ceder a um pedido de salvação, quando suas ações levam a falhas ou problemas para eles.
_Capacidade de permitir que as pessoas sejam quem "realmente são'' em vez de que você querer que elas sejam o que você quer.
_Capacidade de evitar ser ferido, abusado e em desvantagem, tomado  por pessoas que, no passado, foram excessivamente dependente ou enredadas com você.

Definição traduzida com adaptações do texto original dos autores:  James J. Messina, Ph.D. Constance M. & Messina, Ph.D. copiado com permissão dos autores e http://www.coping.org/


segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Um passo de cada vez: Retrospectiva 2012

"Hoje é o fim do velho e o inicio do novo. Olho com esperança para o novo, acreditando na recuperação e crescimento.
Agradeço ao meu Poder Superior por mostrar-me o caminho.
Hoje, estou exatamente onde deveria estar."
CEF - 31 de dezembro - Reflexão para hoje

sábado, 29 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012




E acaba mais um ano...
Foi rápido e intenso.
E foi um ano diferente, não sei precisar ao certo em que...

Só sei dizer que algo de muito significativo aconteceu em minha vida.

Como uma cratera no chão – é algo bem notório e bem profundo

Foram ganhos e alegrias
Perdas e tristezas

Um pedaço de mim se quebrou
Algo novo nasceu (ou renasceu?)

Meu olhar é o mesmo
A direção e o alcance é que mudou

Voltei a ser quem eu era?
Ou simplesmente mudei...

Talvez eu possa resumir, simplesmente, em crescimento...
E como já dizia meus professores nos primeiros anos de faculdade...
Crescer dói!!
E como dói!!

Não me lembrava de ter sofrido esse processo nos últimos dez anos...
Foi realmente algo de muito diferente...
Sinto-me diferente.

No início, era uma forma de loucura... como seu eu tivesse me perdido de mim mesma.
Depois entrei em algo parecido com letargia... 
como se estivesse me anestesiando de tudo.

Aos poucos, a anestesia foi passando... e as emoções voltando...

E nesse processo, em que as emoções e sentimentos são parecidos com a maré... 
que vai e vêm..., ora sentia dor, ora sentia amor...

A angustia e alívio se revezavam num plantão muito bem organizado.

A paciência e a ansiedade não chegavam num acordo... uma luta interminável.

E eu? No meio disso tudo.

Tentei falar de Sentimentos, como uma forma de tentar organizá-los e entende-los...

Expus em Tempestades... a ressaca das perdas.

E assim que me descobri imperfeita... falei do Ser Humana 
– como uma forma de me perdoar a mim mesma.

Em Será.... tive uma espécie de surto psicótico... mas foi leve... 
e consegui voltar a mim mesma, muito rápido!!

Entendi a importância da Serenidade em minha vida, 
quando escrevi o Primeiro Passo e a Impotência.

Admiti e aceitei minha vida como ela é, escrevendo Minha história... um ano.

Em Pelo amor e pela dor – vivenciei um momento de elaboração e luto pela perda.

Na seqüência, veio o Vazio... o nada... e como disse no post, estava esvaziada dos meus conteúdos antigos, para poder preencher-me novamente.

E por fim, quando escrevi Tudo Passa!! Estava de certa forma, voltando a mim mesma. Acreditando no que acreditei minha vida inteira. Que vivemos momentos, que esses momentos se vão, e o que ficam são lembranças...

E que por isso, preciso viver intensamente cada momento. Por que o dia de hoje, é o dia mais importante da minha vida...porque ontem já passou... e o amanha ainda não chegou...

Desejo a todos que me acompanham, neste blog, um lindo 2013 repleto de alegrias, descobertas e crescimento!! 
Agradeço pelo carinho, comentários (grande maioria aconteceu em off - fora do blog).
... E para mim, pretendo pensar com carinho em começar meu quarto passo e fazer um inventário de mim mesma.

!! Que Deus esteja conosco!! Que o nosso Poder Superior prevaleça em todos os nossos momentos!!
Beijooo








sábado, 15 de dezembro de 2012

Tudo Passa!!


Já passei por fases sobrecarregadas de tristeza...
E fases sobrecarregadas de alegria.

Mas tudo passa!
Esse momento também passará.

Continuo tentando me concentrar em coisas que me fazem feliz!
Porque cheguei num ponto, em que paz de espírito e liberdade, é o que mais importa.

Não é fácil conseguir isso. Mas quando passamos a cuidar melhor de nós mesmos, e consideramos todas as opções para isso, tudo fica mais fácil, a clareza vem, e aprendemos como lidar com tudo.

Tem coisas que doem e decepcionam! Mas se busco alguma serenidade, encontro paz de espírito.

E assim, continuo sobrevivendo, crescendo, ficando mais forte. Sem desistir.

E fiz o que li outro dia numa postagem:
“... apaguei números que já não são discados, esqueci mensagens que não foram enviadas...”
“Às vezes, a gente muda de direção, de caminho, de escolha.”
“E é preciso não só recomeçar, mas também se desfazer do que não merece mais ficar...”

Sei que a história de cada um é diferente, o que coincide, é que todos nós tivemos e temos que estabelecer limites sobre tudo. E isso é um direito humano.

E isso eu consigo, aprendendo a ler as situações de forma mais realista.
Aprendendo a esperar minha vez e aguardando que meu Poder Superior me dê o que é para mim, no momento certo.
Assim, as palavras certas saem, e o limite que é necessário, é afirmado.

Permitir isso, que o Poder Superior trabalhe para mim, é a única maneira e a forma mais suave e gentil de interagir com tudo e com todos.

E estou feliz por estar aqui, e por estar assim.
Consigo me permitir ser ajudada, e sou capaz de ajudar o outro no meio de tudo isso.

E tudo vai passar.
Ficarei melhor, afinal já cheguei tão longe!
E sempre há espaço para continuar crescendo.
E eu, tento me lembrar disso!

E enquanto estou longe de ser perfeita, minha serenidade continua vindo em primeiro lugar.
Continuo fazendo o que for preciso para mantê-la e viver dentro da sabedoria que ela me proporciona.

E não importa o que digo ou escrevo, pois nada fará diferença!
Porque esse momento também vai passar!

Porque "hoje", é só um dia, que será "ontem", "amanhã".


sábado, 8 de dezembro de 2012

Vazio...


Quando escrevo, estou num momento em que os pensamentos e sentimentos viram um turbilhão. E sinto, que só escrevendo, conseguirei ordenar essa bagunça. Tudo vem de forma desordenada... e eu vou colocando na escrita.

Viver esse turbilhão, de certa forma, é angustiante. É como ter um furacão dentro de nós, avassalando tudo. Mas ao mesmo tempo, significa que estou no auge das emoções e em luta para organizá-las.

O contrário disso é bem pior.

O contrário disso pode parecer paz e calmaria... mas não é.
Pelo menos, não nesse momento. E o significado disso é vazio.

Depois do ultimo turbilhão que vivenciei, os insights, e o luto na seqüência (descrito no ultimo post) ... entrei nessa fase.

Nunca lidei muito bem com o vazio.

Lembro-me na época da faculdade, um professor percebeu meu incomodo com o silencio de uma paciente. E me perguntou o que me incomodava naquele silencio.
Eu respondi: _ O silencio dela me soa como vazio.
Então ele me questionou o significado de vazio.
E eu disse: - Falta de. É como ter um nada dentro da gente. Muito ruim sentir isso.
Ele me respondeu: _ Vazio significa que você se esvaziou de todas as suas coisas, para preencher novamente. É um estágio, um momento, uma fase de crescimento.

Eu entendi. Até concordei. Mas ainda assim, é muito ruim.

E a minha vontade, é ter o que escrever para diminuir essa sensação. Afinal quando escrevo, organizo tudo dentro de mim, alivio a confusão que sinto.

Mas escrever o que??? Se sinto um nada. E este nada é literalmente nada!!

E por hoje, o que fica aqui neste post, é só um vazio!! 
pois como sempre, é só um reflexo de mim mesma.
e só por hoje, sem qualquer passo... vivo esse dia.


domingo, 2 de dezembro de 2012

Pelo amor ou... pela dor!


Simplesmente incrível como alguns acontecimentos ocorrem em nossa vida.
Semana passada eu estava naquele período feminino extremamente sensível. E estava muito, mas muito triste. Nesses períodos que não temos como justificar motivos, simplesmente ficamos.

E movida por este sentimento de tristeza, comecei a me questionar sobre continuar indo ou não ao grupo.
Inicialmente, procuramos o grupo por termos um motivo – uma adicção próxima.
Mas depois, descobrimos que continuamos voltando por nós mesmos, porque nos faz bem em todos os sentidos.

Na última terça, pensava – se para ingressar no grupo, tenho que ser amiga ou parente de um adicto... por que devo continuar indo, se não tenho mais esse pré-requisito???

O fato, é que fiquei tão angustiada com esse pensamento, que acelerei meus movimentos e me prontifiquei a ir, mais cedo que o normal.

E foi incrível!
A primeira leitura foi o de 27 de novembro do CEFE (essa data, por si só, já tem um significado todo especial). Essa leitura narra o depoimento de como um membro foi “tocado” a ir pela primeira vez ao grupo. Tirando alguns poucos detalhes, era minha história. Era a história de “ser movida pelo Poder Superior”. Parecia um reforço na minha lembrança do porque procurei o Naranon.

Partilhei sobre meus sentimentos sobre sentir-me um peixe fora d’agua no grupo. E tive respostas sobre isso.

A segunda leitura – do Livreto Historias de Recuperação – “Criticas”- me fez chorar pela primeira vez, no grupo. E pela primeira vez, senti que falei com a alma.
O texto discorre sobre o significado do ato de criticar relacionado ao fato de estarmos evitando entrar em contato conosco.

Senti uma dor imensa ao mergulhar em minhas lembranças.
Lembrei que se eu tivesse conseguido apenas “amar” e “desligar a pessoa da doença” muitas das criticas e atitudes que tive, não teriam acontecido.
E partilhei, que meu ato de criticar, nada mais era que uma forma de extravasar a raiva que eu sentia por tudo que acontecia. A intenção da crítica era transferir p/ o outro o quanto pequena eu me sentia. Mas eu conclui, nesse dia, que fazendo isso, alem de conseguir diminuir o outro, eu conseguia apenas diminuir a mim mesma...

Nesse dia, estavam seis recém-chegados. Eu olhei para cada um deles e disse: É importante aprender a amar e se desligar com amor, pois corremos o risco de descobrir, tarde demais, o quanto amamos essa pessoa, independente de sua doença.

Voltei para casa chorando.
Sabia que mais uma vez, tinha voltado ao grupo, movida pelo poder superior.
E voltei consciente, que aquele meu sentimento de tristeza, de questionar ir ou não ao grupo, tinha apenas um significado –

domeumundoparticular.blogspot.com
Eu precisava daquela reunião porque estava elaborando a perda.
E estava de luto.
E consciente que, mais uma vez, deixei de aprender pelo amor, para aprender com a dor.

E assim, dando um passo de cada vez, vou descobrindo minhas coisas, e vou aprendendo a lidar com elas... com amor... e com a dor...

e vivendo... um dia de cada vez...

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Minha historia... um ano!


Está fazendo um ano que frequento o grupo de 12 passos, e até agora, nunca dividi com vocês que grupo é esse.
E em homenagem ao meu aniversario de freqüência, vou contar um pouco de minha historia.

Existem vários grupos de 12 passos.
NA (Narcóticos Anônimos) e  AA ( Alcoólicos Anônimos)
Nar-Anon e Al-Anon (o primeiro para familiares e amigos de adictos e, o segundo, para familiares e amigos de pessoas com problemas com álcool).
Narateen e Alateen (voltado para filhos de adictos e de pais com problemas com álcool), respectivamente.
E existem muitos outros grupos anônimos de 12 passos.

Um ano atrás, dia 21/11/2011 – eu estava muito angustiada. Sabe aqueles dias em que precisamos tomar uma decisão e não sabemos o que fazer? Pois é... eu estava assim.
Fui dormir e fiz algo que raramente faço...
Pedi a Deus que iluminasse meu caminho e me orientasse sobre a melhor decisão a ser tomada.
Eu estava naquele momento, sem saber, entregando minha vontade e minhas angustias à vontade de Deus. Eu não sabia, mas era uma espécie de “rendição”.

Eu vivenciava um conflito – Dar um basta em tudo! Ou aceitar o fato e lutar junto. Qualquer decisão que eu tomasse seria de uma dor sem fim...

No dia 22/11/2011 – não lembro como acordei... só sei que num dado momento me veio o nome allanon no pensamento.
Lembrei-me de uma época da faculdade, em que fui convidada por uma amiga para assistir uma palestra de uma psicóloga que tratava do tema co-dependencia. A palestra aconteceu num grupo Allanon.

Nesse momento, que pensei no allanon, me veio em mente que seria interessante visitar esse grupo.  E fui pesquisar na internet, os locais e endereços.

Encontrei um grupo, às 20hs e decidi ir.
Mais ou menos duas horas antes de sair, resolvi reler o que era o Allanon.
E vi que o foco do grupo era para familiares e amigos de pessoas com problemas com o álcool.
E então conclui que não seria o meu grupo.
Pesquisei novamente na internet, a partir do NA e encontrei o Naranon.
E achei nesse mesmo dia, uma reunião acontecendo em São Vicente, às 20hs.
Fui.

Cheguei lá confusa, com medo, sem saber o que estava buscando.
Fui recebida por uma companheira muito acolhedora. Contou-me sua historia, me explicou o que era o grupo, quais os objetivos e me convidou para voltar pelo menos mais seis vezes, para então decidir continuar indo ou não.

La, nessa primeira reunião, entregaram-me um folheto. Na verdade recebi vários, mas recebi um em especial que dizia: “Carta aberta à minha família”
Tratava-se de uma carta escrita por um dependente químico a alguém de sua família.
É um folheto comum no Naranon.
Mas aquela carta, eu li e reli diversas vezes. Parecia que tinha sido escrita para mim.
Não sei o que senti. Uma mistura de dor, desilusão, alivio e um pouco de consciência.
Hoje não a tenho, porque cedi para um companheiro recém chegado no grupo. Afinal, esse folheto teve um significado tão grande para mim, que me senti bem em pensar que estaria fazendo o mesmo por aquele recém chegado.

As partilhas desse primeiro dia pareciam que todas as pessoas ali presentes falavam e contavam um pouco de minha historia.
Foi uma experiência muito diferente, eu não tenho palavras hoje, para explicar.

O que tenho de especial desse dia... e que preciso muito partilhar aqui... foi justamente o fato de eu pensar, e ter ido nesse grupo.
Como eu disse, no dia anterior, angustiada pedi a Deus que me orientasse. E no dia seguinte, eu tive esse insight... de lembrar, procurar, encontrar e ir ao grupo.
Não tenho outra explicação.
Fui iluminada pelo meu poder superior. Que soprou em meus pensamentos e me fez procurar e, no mesmo dia, encontrar um grupo e chegar até ele.

Eu só sei que voltei. E continuei voltando...

Em 22/11, faço meu primeiro aniversário no Naranon.
E já tem alguns meses que não convivo mais com o motivo que me levou a esse grupo.
Até pensei, por algumas vezes, se deveria continuar indo... mas continuei...
E hoje sei que este grupo me orienta quanto ao meu crescimento espiritual, emocional, e pessoal.

Me faz bem.
O grupo, cada pessoa do grupo, as partilhas, a literatura – tudo isso faz parte desse meu momento.
E, independente de ter ou não, o motivo presente em minha vida, continuarei indo. Porque lá eu cresço, aprendo, descubro e compartilho.
Porque nesse um ano de grupo, eu fui apenas alfabetizada... ainda tenho muitos anos pela frente de aprendizado e de crescimento.
Não me tornarei uma PHD em 12 passos.
Penso que continuando minha freqüência, minha leitura, minhas partilhas... eu só posso conquistar um titulo:

_ Tornar-me uma pessoa cada vez melhor.

E é o que me basta, por hoje.
E só por hoje funciona, um dia de cada vez.

Agradeço a todos pelo carinho que tenho recebido, por email, Messenger, sms e telefone.
Muito importante saber que estou de alguma forma, colaborando com alguma coisa... e que não estou só.

domingo, 18 de novembro de 2012

O primeiro passo e a Impotência


Num primeiro momento, admitir-se impotente..., não foi algo tranqüilo para mim.
Trata-se de um sentimento ruim, considerando seu significado real – “falta de forças, incapacidade” e que por si só, é um significado que causa resistência para admitir e, muito incômodo.

Afinal, quem gosta de sentir-se incapaz? Se a nossa sociedade nos educa de uma forma em que prevalece a força, a vitória e o sucesso?

Mas como tudo nessa vida... o que eu precisava conceber era o contexto.

Quando eu insiro o sentimento de impotência no contexto do primeiro passo – “Admito ser impotente perante...” – o outro, perante tudo que está fora de mim –
- o que sinto de fato é uma sensação de humildade de ser pequena e incapaz. É. Incapaz sim, de querer ou tentar modificar o outro.

Este desconforto de admitir está no plano da consciência. Ainda é o racional prevalecendo.
Quando sigo para o segundo e terceiro passo – e busco um poder superior a mim... E, entrego minha vontade e minha vida aos cuidados desse Poder superior...  – ser impotente deixa de ser desconfortável.

Torna-se um novo modo de viver.

Uma forma de viver mais tranqüila em que, percebo que só posso cuidar de mim mesma, acreditando que não estou só, e acreditando que cada um pode cuidar de si mesmo também acompanhado por um poder maior.

Esse Poder Superior é pessoal para cada um, conforme suas crenças.

Para mim é Deus...  E para quem não acredita em Deus,


ð                           pode ser uma energia,
ð                           uma força da natureza,
ð                           um pensamento positivo,
ð                           o próprio universo.
ð                           Pode ser “N” coisas
O importante é que esse poder maior tenha a influencia sobre nossa percepção de nossa própria limitação e nos traga pensamentos bons, entre outras coisas maravilhosas.

Eu penso que para compreender de fato, esses três primeiros passos, é preciso estar mergulhado na mais profunda dor, no caos, na insanidade de não sabermos mais quem somos e quem é o outro.
Comigo foi assim...
E precisei me dar conta que não sabia mais o que fazer, pois o que tentei (e penso que tentei tudo que podia) não funcionou.

É nesse momento, de fragilidade, de impotência (que ainda nem sabemos do que) que ao encontrar um grupo de doze passos, tudo se torna mais claro.

E essa clareza vai chegando aos poucos.
E o que era medo dá lugar ao conforto.
E o que era dúvida, dá lugar à certeza.
E o que era insano, retoma seu equilíbrio.

Não é simples... É lento, doloroso e difícil.
Mas é como boiar em cima d’água... Fica-se leve e deixa-se a maré te levar...
O peso do corpo some, e nesse caso, qualquer peso diminui.

A resistência do inicio, dá lugar à consciência.
Mas somente quando essa consciência se fundiu com o sentimento – é que entendi de fato o quanto fiquei livre...

E o quanto tento me manter livre...
Um dia de cada vez!

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Carta aberta para um adolescente - II

Em 17 de dezembro de 1986 - as 16:55hs 
Eu só tinha 19 anos.
E escrevi essa carta para o mesmo adolescente referido no outro post.
Eu ainda não sabia de seu envolvimento com drogas... tive certeza um mês depois.
Mas algo me incomodava. 
E eu por amá-lo, queria arrancar esse incomodo (que era meu). 
Hoje sei que isso se traduz em:

  • "querer modificar o outro", 
  • "não deixar o outro fazer suas escolhas".


Eis...
Especialmente para um amigo...

Nada lhe importa?
Qual o significado desse sorriso
onde não há alegria? 
_ só frieza
O que diz esse olhar cheio de mistérios
_ onde só vejo tristeza.

Quero ser sua amiga
Por que me proíbe?
Mantém-se o tempo todo
num mundo indiferente, distante
Levanta muralhas ao seu redor
impedindo a minha passagem

Queria eu, quebrar essa muralha
para chegar até você
Queria eu, mostrar-lhe 
que, no fundo das coisas más encontra-se algo de bom
Queria eu, mostrar-lhe 
que no mais triste dos sorrisos encontra-se um fundo de alegria
e que, por mais só que você pense estar
alguém te observa bem próximo
Alguém que te Adora!!


Era assim que eu o via - triste - isolado - solitário  
e eu queria, de toda forma, tirar isso dele. 
Todo o meu amor. 
Todo o meu carinho.
E toda a minha preocupação. 
Nada disso resolveu.
Ele não me ouviu.
Não se modificou.
E continuou, cada vez mais, mergulhado no sub mundo das drogas.
e, por isso, veio a falecer em 1995 - com 20 e poucos anos.
Nessa época, eu já tinha desistido dele.
Soube de sua morte distante.
Sofri de longe.

Cada um de nós temos o poder e o livre arbítrio de fazer nossas próprias escolhas e seguir nossos caminhos.
O fato de amarmos alguém, não nos dá o direito de querer modificá-lo.
Ele, fez a escolha dele. Não está mais, entre nós.
Eu, fiz a minha. E fiquei distante dele.

Hoje... só tenho a recordação de como ele era bom.
E continuo não compreendendo o que faz uma pessoa fazer uma escolha dessa natureza.

Hoje eu sei "que só posso modificar a mim mesma. Aos outros, eu só posso amar."