Simplesmente incrível como alguns acontecimentos ocorrem em nossa vida.
Semana passada eu estava naquele período feminino extremamente sensível.
E estava muito, mas muito triste. Nesses períodos que não temos como justificar
motivos, simplesmente ficamos.
E movida por este sentimento de tristeza, comecei a me questionar sobre
continuar indo ou não ao grupo.
Inicialmente, procuramos o grupo por termos um motivo – uma adicção
próxima.
Mas depois, descobrimos que continuamos voltando por nós mesmos, porque
nos faz bem em todos os sentidos.
Na última terça, pensava – se para ingressar no grupo, tenho que ser
amiga ou parente de um adicto... por que devo continuar indo, se não tenho mais
esse pré-requisito???
O fato, é que fiquei tão angustiada com esse pensamento, que acelerei
meus movimentos e me prontifiquei a ir, mais cedo que o normal.
E foi incrível!
A primeira leitura foi o de 27 de novembro do CEFE (essa data, por si
só, já tem um significado todo especial). Essa leitura narra o depoimento de
como um membro foi “tocado” a ir pela primeira vez ao grupo. Tirando alguns
poucos detalhes, era minha história. Era a história de “ser movida pelo Poder
Superior”. Parecia um reforço na minha lembrança do porque procurei o Naranon.
Partilhei sobre meus sentimentos sobre sentir-me um peixe fora d’agua no
grupo. E tive respostas sobre isso.
A segunda leitura – do Livreto Historias de Recuperação – “Criticas”- me
fez chorar pela primeira vez, no grupo. E pela primeira vez, senti que falei
com a alma.
O texto discorre sobre o significado do ato de criticar relacionado ao
fato de estarmos evitando entrar em contato conosco.
Senti uma dor imensa ao mergulhar em minhas lembranças.
Lembrei que se eu tivesse conseguido apenas “amar” e “desligar a pessoa
da doença” muitas das criticas e atitudes que tive, não teriam acontecido.
E partilhei, que meu ato de criticar, nada mais era que uma forma de
extravasar a raiva que eu sentia por tudo que acontecia. A intenção da crítica
era transferir p/ o outro o quanto pequena eu me sentia. Mas eu conclui, nesse
dia, que fazendo isso, alem de conseguir diminuir o outro, eu conseguia apenas diminuir
a mim mesma...
Nesse dia, estavam seis recém-chegados. Eu olhei para cada um deles e
disse: É importante aprender a amar e se desligar com amor, pois corremos o
risco de descobrir, tarde demais,
o quanto amamos essa pessoa, independente de sua doença.
Voltei para casa chorando.
Sabia que mais uma vez, tinha voltado ao grupo, movida pelo poder
superior.
E voltei consciente, que aquele meu sentimento de tristeza, de
questionar ir ou não ao grupo, tinha apenas um significado –
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Eu precisava daquela reunião porque estava elaborando a perda.
E estava de luto.
E consciente que, mais uma vez, deixei de aprender pelo amor, para
aprender com a dor.
E assim, dando um passo de cada vez, vou descobrindo minhas coisas, e
vou aprendendo a lidar com elas... com amor... e com a dor...
e vivendo... um dia de cada vez...


que experiencia maravilhosa!
ResponderExcluirobrigado por compartilhar!