Um tempo atrás me
perguntaram se, algum dia, eu pretendo me dar “alta” do grupo nar-anon.
A pergunta por si
só, não é motivo de incomodo algum. O que incomoda em algumas perguntas ou
colocações é o contexto em que ela é inserida ou o tom que é utilizado.
De fato, fiquei
incomodada com essa pergunta. E num primeiro momento só consegui me lembrar de
pessoas que frequentavam o grupo há muito tempo e o quanto eu os admirava com
relação ao seu equilíbrio e serenidade. E minha resposta foi em cima disso,
além de lembrar que trabalhar com projeção de futuro não é minha praia. Por
isso, também, não poderia responder perguntas com base numa possibilidade
futura (se) alem de lembrar-me que o grupo me faz bem e que, só por hoje,
continuo voltando.
Daquele dia em
diante, sempre que estava no grupo, ficava pensando nessa pergunta e se, algum
dia, eu me daria alta.
Hoje estou mais tranquila com relação a isso.
Estar no grupo me
faz bem. É um meio de me conectar comigo mesma e recarregar minhas baterias,
Alem do que, fiquei
pensando no conceito de “alta” e pesquisei sua definição. No dicionário online
uma das definições é “Permissão para o doente sair do hospital.”
Considerando essa
definição, minha resposta é muito simples:
Não, eu não pretendo
algum dia, me dar alta.
Porque vou ao grupo
em busca de me tornar uma pessoa cada vez melhor.
Dar-me alta,
significaria que cheguei num ponto máximo e final disso.
E nesse processo, é
humanamente impossível esse alcance. Afinal somos seres em evolução. Aprendemos
todos os dias. Temos recaídas que nos ensinam e nos fortalecem para uma nova
recuperação e um novo caminho.
Trata-se de
crescer. E isso é continuo constante, infinito.
Fico feliz por ter
essa consciência e esse caminho.
Só por hoje
continuo voltando e seguindo a programação,
Um dia de cada vez.

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