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quarta-feira, 27 de março de 2013

O Príncipe e o Sapo


Ouvi uma história que me impressionou, e fiquei dias pensando nela.
Resolvi editá-la em forma de parábola, usando os nomes fictícios João e Maria, em respeito à tradição do anonimato.

Maria contou...

... Que alguns anos atrás, conhecera um homem. Ele era simples e comum, pois no primeiro momento, nada de especial podia ser visto nele. Aos poucos, no dia-a-dia da convivência passou a vê-lo como um príncipe que, em tudo, se mostrava nobre e belo.

Depois de algum tempo, Maria percebeu um fato estranho: - João simplesmente desaparecia de vez em quando. E mais algum tempo depois, soube o motivo: - Ele era adicto. E o seu desaparecimento indicava que tivera uma recaída no uso.

Maria conta que, nesse início, não entendia muito bem o que era a adicção. Mas percebia inconscientemente que João, de príncipe, transformava-se em sapo.

Quando voltava, após seus desaparecimentos, João ainda apresentava traços de sapo. A transformação acontecia lentamente e, aos poucos, o príncipe estava lá de volta, inteiro e lindo.

Mas essa transformação acontecia também no sentido contrário.. O príncipe, de repente, mostrava sinais que indicavam que logo, muito logo, ele se tornaria um sapo novamente.
E isso aconteceu por alguns anos. Ora príncipe, ora sapo.
Maria odiava o sapo. Amava o príncipe. E ambos residiam na mesma pessoa.

Seu desejo era ter João como príncipe eternamente ao seu lado. Mas isto, não dependia dela, pois a decisão de se transformar (ou não) em sapo, cabia somente a ele.

O seu príncipe estava nos sonhos, no passado, no desejo. E o que se manifestava, cada vez mais freqüentemente, era o sapo, feio, incomunicável, irracional.

A transformação acontecia de forma progressiva, lenta e determinante.

Um dia qualquer João desapareceu. Maria sabia que era, mais uma vez, o sapo prevalecendo. O que ela não sabia é que aquela transformação seria a última.

Ele voltou sim. Mas voltou sapo. Não apresentava mais, nenhum indício de que o príncipe pudesse estar ali.
João voltara, somente para mostrar, que o príncipe tinha ficado no pântano.

Maria então abriu a porta e deixou o sapo partir.
Ela sabia que o príncipe estava lá e que estava indo junto.
Mas essa decisão, de ser príncipe ou sapo, de ficar ou ir, era só dele!!


Não vou comentar muito. Existem muitas reflexões a serem tiradas dessa história. 
Para mim, entre outras tão importantes quanto, fica:
o lema: Viva e deixe viver , 
o primeiro passo: Admitir-se impotente 
e uma reflexão sobre “desapego” 

Beijos e um feriado cheio de chocolates!! Feliz Páscoa!!

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